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Notícias | Região Educação

Sem recursos, Liberato precisa de ajuda para realização das provas

Com custos adicionais para organizar seleção devido aos protocolos da pandemia, instituição pede colaboração da comunidade

Por Bruna Mattana
Publicado em: 27.11.2020 às 03:00 Última atualização: 27.11.2020 às 15:56

Liberato chegou a anunciar sorteio de vagas, mas voltou atrás e fará prova de ingresso Foto: Divulgação Liberato
As provas de seleção da Fundação Escola Técnica Liberato Salzano Vieira da Cunha, de Novo Hamburgo, marcadas para ocorrer no dia 20 de dezembro, estarão comprometidas caso a instituição não consiga os recursos necessários para sua aplicação, segundo o diretor-executivo, Ramon Fernando Hans. Após polêmica envolvendo o processo de seleção - a entidade havia anunciado que o ingresso de novos alunos para o ano letivo de 2021 seria por meio de sorteio -, a Liberato voltou atrás e atendeu solicitação do Governo do Estado para que a prova ocorresse. "A reação foi grande, com pressões de empresas, associações, sindicatos e entidades educacionais, que ecoou, quem diria, no Governo do Estado, que por fim nos solicitou que realizássemos a prova."

Segundo Hans, atendendo ao anseio de todos, a prova será realizada. "Mas chamo a atenção que as dificuldades apontadas há alguns dias atrás continuam existindo. Não temos recursos financeiros suficientes para atender os protocolos de segurança necessários para uma seleção deste tamanho, autorizações para pagamentos extras à banca avaliadora e, por fim, mais de 200 pessoas para trabalhar no acompanhamento e fiscalização da prova. Espero que as vozes que se levantaram a favor da continuidade do processo seletivo, a favor da qualidade, possam agora, comprometidas conosco, ajudar a resolver estes obstáculos", ressalta.

Qualidade

O diretor-executivo lembra que a Fundação Liberato tem se firmado como uma instituição transformadora, que pratica uma educação de excelência, formando empreendedores, pesquisadores, trabalhadores e, principalmente, cidadãos do mundo. "Alguns princípios norteiam este trabalho, que não cabem aqui enumerar, pois o resultado é notório e reconhecido. Haja visto as instituições de ensino superior e o empresariado que busca nossos alunos, mesmo antes de se formarem. Além disso, nossas vagas são concorridas. Então temos demanda de entrada e de saída reprimidas. Precisaríamos de mais três Liberatos para atender as necessidades da nossa região."

Mobilização

Hans diz que por isso entende a mobilização da comunidade. "Entendemos então por que a comunidade se mobilizou quando pensamos, em face da segurança de todos, não realizar processo seletivo neste ano. Pois esta comunidade adotou a Liberato e se preocupa muito com os passos por nós tomados. O processo seletivo é uma das ações que contribuem para nosso trabalho, mas, lembro, não é a única, e por certo não é a mais importante. Considero o processo ensino-aprendizagem realizado por nossos profissionais o mais importante, e aí que ocorre a transformação. Estamos à disposição para as contribuições no e-mail ramon@liberato.com.br."

 

Entidades se posicionam

O presidente do Sindicato da Indústria de Máquinas e Implementos Industriais e Agrícolas de Novo Hamburgo e Região (SinmaqSinos) e vice-presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Máquinas para Couros e Calçados (Abrameq), Marlos Schmidt, cumprimentou a direção da escola por aceitar a sugestão da Secretaria de Educação do Estado de manter o exame de seleção para os novos alunos. "Desde o início, nos colocamos à disposição para dialogar no sentido de colaborar para que as provas sejam realizadas dentro das exigências de segurança para os candidatos à vaga nesta escola. Seguimos ao dispor para o diálogo para que possamos trabalhar juntos para que o desafio seja alcançado."

O presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico e Eletrônico de São Leopoldo (Sindimetal RS), Sergio Galera, ressaltou que o sindicato "apoia a manutenção das provas, por considerar ser uma questão mais justa, e se coloca à disposição para o diálogo". A Associação Brasileira de Empresas de Componentes para Couro, Calçados e Artefatos (Assintecal) informou que, apesar de apoiar institucionalmente o movimento, não pode se posicionar de forma financeira.

O presidente da Associação Comercial, Industrial e de Serviços (ACI) de Novo Hamburgo, Campo Bom e Estância Velha, Marcelo Lauxen Kehl, destacou que "a Fundação Liberato cobra por candidato inscrito na prova um valor, e o Secretário de Educação, Faisal Karam, em conversa com nosso diretor, Marco Aurélio Kirsch, assegurou que o valor para complementar este custo extra, caso houvesse, viria do orçamento da própria Secretaria de Educação, que seria alocado para tanto. Assim, o somatório do orçamento da Secretaria de Educação e da cobrança individual por candidato resolverá a questão, o que não exclui a importância de a escola e a Secretaria envidarem esforços para redução do custo destes monitores e avaliadores, como fazemos na iniciativa privada."

O que diz o Estado

A Secretaria Estadual da Educação (Seduc) informou, por sua assessoria de imprensa, que a Fundação Escola Técnica Liberato Salzano Vieira da Cunha é uma instituição de ensino vinculada à Rede Estadual, mas que possui regime orçamentário próprio. "Portanto, tem sua autonomia nas questões administrativas e técnicas referentes à gestão da instituição de ensino." A Seduc acrescenta que a Liberato ainda possui saldo de dotação orçamentária em 2020, além de informar que "os dois pedidos de recursos para pagar honorários extras aos professores responsáveis por elaborar e corrigir as provas de seleção foram devidamente atendidos". O valor liberado é de cerca de R$ 130 mil.

Etapas

O diretor Ramon Hans explica que o uso da verba pública envolve burocracia. "Se eu preciso alugar cadeiras eu tenho que solicitar ao Governo do Estado liberação da minha verba para poder usar. Esse valor está na conta do Estado. Preciso fazer um processo licitatório, três empresas precisam ofertar o serviço. A que for mais barata eu contato e solicito as cadeiras para o dia 20 de dezembro. Se a empresa disser que não tem disponível para a data, eu tenho que começar de novo. Se um ente privado ajudar, não preciso fazer tudo isso e correr o risco de não ter até o dia da prova." Hans comenta que o valor das inscrições é utilizado para pagar os fiscais e gastos emergenciais da seleção. E alguns alunos de escola pública pedem isenção, acrescenta.

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