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Opinião Opinião

Precisamos de mais, de muito mais

Por Isabel Cristina Feltes
Última atualização: 31.03.2020 às 15:38

Inicialmente sobre pronunciamento do nosso presidente, fica claro que o objetivo de toda aquela fala é para responsabilizar os governadores e prefeitos em relação ao problema econômico que persistirá por muito tempo para o Brasil e para o mundo. É uma posição cômoda: os governantes estão a frente do problema, seguindo as recomendações da OMS, sabendo das consequências catastróficas para a economia; quando todo o problema passar ele dirá "eu avisei", postura um tanto quanto irresponsável perante a vida e toda a sua população. Como colocou nosso governador: em primeiro lugar a vida, em segundo os empregos.

Já me questionaram: será que não haveria outra maneira de conter o vírus que não tivesse tanto impacto econômico? Até o momento não, o isolamento é a medida mais eficaz, comprovada cientificamente. Atualmente, se discute se o isolamento necessita ser horizontal ou vertical, possivelmente podemos ter uma mudança na forma como conduzir o isolamento da população, com a finalidade para minimizar o problema econômico – claro a autoridades estão cientes de todo o cenário, que um tanto quanto complexo. E respondo com mais uma pergunta, se houvesse outra maneira, acreditaria que nenhum outro país estaria a tomando? Estados Unidos, Itália, Espanha, China, grandes potencias..... Ao contrário, em muitos desses países se adotou o lockdown total; o que acredito que não ocorrerá no Brasil.

Outro ponto é em relação ao número de leitos de UTI, para a população fica difícil entender por números absolutos como podemos estar tao preocupados com a falta de leitos; se ouvem no jornal a quantidade de leitos disponíveis, parece muito. E é, temos muitos leitos de UTI. Mas devo lembrá-los do seguinte: as outras doenças não deixam de ocorrer. As pessoas continuam tendo infarto, AVC, necessitando de cirurgia de emergência, sepse, infecções, insuficiência cardíaca.

Na última segunda, recebi uma tabela dos leitos de UTI disponíveis em Porto Alegre e todas as UTIs estavam com apenas 30% dos leitos vagos. Esse é o problema. Por isso precisamos de mais, de muito mais. Durante o inverno do nosso Estado, muitas vezes pacientes já internados, aguardam em leitos de enfermaria por leito de unidades intensivas, devido à superlotação dos hospitais. Isso ocorre em hospitais com 40 leitos de UTI, por exemplo. Isso sem pandemia. Esse é o problema, a doença não da trégua. Nenhum país está preparado para uma doença nova que necessite cuidados intensivos tão rapidamente.

Termino minhas considerações dizendo que tem se trabalhado para providenciar um aumento de número de leitos disponíveis para terapia intensiva destes pacientes que evoluem com insuficiência ventilatória devido ao coronavírus. E, se tudo der certo, e nosso pais conseguir atender a maioria dos pacientes que evoluem mal inicialmente, o nosso presidente pode passar por quem "estava certo". Não importa quem está certo, importa o numero de vidas que vamos conseguir salvar. Afinal, ninguém quer conhecer "alguém que morreu de Covid-19".

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