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Opinião Mundo Bita

Opinião: 'O sol nasceu na fazendinha'

'As galinhas pintadinhas ou patatis e papatás eram hipnóticos entre os pequenos, mas só repetiam as mesmas músicas de sempre, incluindo aquelas problemáticas das quais falei'

Por Marina Mentz
Última atualização: 10.01.2020 às 11:03

Para quem começa a ler este texto e o título já soa familiar, tenho certeza que convive com alguma criança. Chamado com frequência de "fenômeno", o Mundo Bita encanta o público de diferentes idades, mas parece ser mágico com os pequenos. Para quem já conhece, o trabalho dispensa apresentações (e você já pode pular para o próximo parágrafo deste texto). Mas para quem não sabe do que estou falando, a iniciativa é um projeto musical, em vídeo de animação e áudio, com canções que falam de todos os assuntos com as crianças, de um jeito colorido e animado, "para que pequenos e adultos brinquem e cresçam juntos". Os vídeos e músicas ficam disponíveis em plataformas on-line.

Vamos falar de contexto. A primeira coisa que vem à mente ao falar em música infantil são aquelas melodias repetitivas e letras cheias de onomatopeias. Sem contar o reforço de estereótipos, discriminação e violência. Uma música que diz que se a canoa virou, foi por causa do fulano que não sabia remar. Outra que diz para surrar o gato. Uma ainda na qual a barata nunca pode ter nada, nem anel de formatura, nem cabelo cacheado. Entre as músicas infantis ainda há quem mande as damas para a cozinha, outra na qual o cravo deixa a rosa despedaçada e tantas outras que talvez você nunca nem tenha se dado conta de quão nocivas são. Cantadas repetidamente, viram verdade. 

Curioso que todo mundo criminaliza o funk, por exemplo, mas as cantigas podem falar o que quiserem e ninguém parece se importar - como se criança fosse sempre menos.

Era tudo meio assim antes do "sol nascer na fazendinha". Claro que havia outras coisas boas para crianças, tipo Palavra Cantada ou Cocoricó, mas nenhuma tinha conseguido ser tão massiva. As galinhas pintadinhas ou patatis e papatás eram hipnóticos entre os pequenos, mas só repetiam as mesmas músicas de sempre, incluindo as problemáticas das quais falei antes.

Eis que chega um amigão de bigode laranja e cartola na cabeça, o Bita, para falar de emoções, diversidades, natureza, corpo humano, brincadeiras e animais - e a gente pode ver "como é legal lá no fundo do mar". Tudo isso com a complexidade certa e respeito pelas crianças. Não bastasse ter um conteúdo de qualidade, o desenho é inclusivo e as canções são musicalmente bem feitas e de alta qualidade musical. "Este mundo também é seu" é o que diz a comunicação oficial do Mundo Bita, e isto é celebrável, já que para um desenvolvimento saudável e feliz, é sempre necessário que as crianças sintam-se representadas e parte de algo.

Obrigada, Bita, por incluir e respeitar. 

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